O Perrengue da Lona Preta



Três são os pilares que configuram a pesquisa que resultou na montagem da peça “O Perrengue da Lona Preta”. Por um lado, o grupo estudou textos que julga de extrema importância para a compreensão das forças que operam na manutenção da ordem vigente. Estão entre os mais importantes: “O senhor e o escravo” de Hegel, ”Para ler o Pato Donald” de Ariel Dorfman e Armand Mattelart”, “O que é ideologia” de Marilena Chauí  e o  capitulo 24 de “O Capital” de Karl Marx.  Além dos textos teatrais: “O auto dos noventa e nove por cento” e “A mais-valia vai acabar seu Edgar” , ambos de Oduvaldo Vianna Filho.
Outro pilar do trabalho é o estudo do arquétipo cômico, das cenas clássicas de circo, do palhaço popular, de rua, de feira. Nessa pesquisa foi fundamental o livro “Palhaço” de Mario Fernando Bolognese. Vale ressaltar que é parte fundamental desse estudo a pesquisa de linguagem, que almeja captar na realidade que nos cerca os elementos simbólicos capazes de dar novo folego as “palhaçarias” do picadeiro tradicional. Nesse sentido, buscamos na linguagem e no gesto, cuja natureza dinâmica permite vasto leque de criação, dar novo vigor as velhas cenas clássicas.
Por ultimo, a obra de Mikhail Bakhtin, “A Cultura Popular na Idade Média e no Renascimento: o contexto de François. Rabelais” foi de suma importância, no sentido em que trouxe os elementos ambivalentes do grotesco e do bufão. Elementos esses, que serviram de ponte entre a primeira pesquisa, preponderantemente teórica, e os exercícios práticos das cenas clássicas de palhaço. Em tempos pós-modernos, pós-revolucionários, em que a ordem vigente ganha novo folego e aparência de mundo acabado, quase eterno e limitado, a memória rota nos faz crer que a riqueza é inocente da pobreza, que a pobreza e a riqueza vêm da eternidade e para a eternidade caminham. O bufão precipita esse mundo para o “baixo” terrestre e corporal, que simultaneamente materializa e eleva, desprende as coisas da seriedade oficial, das sublimações e ilusões inspiradas pelo medo, e, visa fazer com que ele tome um aspecto diferente, mais material, mais próximo do homem, mais compreensível.

Surge daí “O Perrengue da Lona Preta”, um jogo de palhaços/bufões que não tem o menor interesse em que se estabilize o regime existente e o quadro do mundo dominante (impostos pela verdade oficial), e que tentam, assim, captar o mundo em devir, a alegre relatividade de todas as verdades limitadas de classe, o estado de não-acabamento constante do mundo, a fusão permanente da mentira e da verdade, do mal e do bem, das trevas e da claridade, da maldade e da gentileza, da morte e da vida.


Sinopse:

                O “sagrado” direito a propriedade privada, símbolo da cultura oficial, é reinterpretado no “O Perrengue da Lona Preta”, um espetáculo inspirado na tradição circense. Nele os palhaços Rabiola e Chico Remela reconstroem, de forma divertida, os símbolos, pretensamente eternos da ordem vigente.


 Ficha Técnica:

Direção: Sergio Carozzi
Elenco: Joel Carozzi, Sergio Carozzi.
Figurinos: O Grupo
Produção: Henrique Alonso



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